O Último Camisa 10

 O Último Camisa 10


Para começo de conversa, vamos definir o que é o camisa 10: é a peça central ofensiva do time, geralmente não tem uma posição definida no campo, costuma jogar solto. Precisa da liberdade, para com ela surpreender a todos com passes, lançamentos, dribles, infiltrações, chutes etc. E com isso gerar gols para sua equipe, tanto os fazendo como dando a assistência. Já que exerce essa função ofensiva tão fundamental, acaba não sendo exigido no momento defensivo. Exatamente o papel de Neymar no PSG.

Apesar de outros jogadores já desempenharem função semelhante antes, acabamos lembrando de Pelé como o primeiro da linhagem, até porque o termo “Camisa 10” é originado pelo fato do Rei ter jogado com este número nas costas durante sua icônica carreira.

O futebol foi muito bem servido desses jogadores. Na Argentina tivemos Valdano, Maradona, Riquelme, Messi. Na Europa, Cruyff, que jogava com a 14, Platini, Zidane, Totti. Mas o Brasil foi o maior fornecedor: além de Pelé; Zico, Ronaldinho, Rivaldo, Rivellino, entre muitos outros, até chegar em Neymar.

O processo que o ataque no futebol está passando é parecido com que o mundo passou na Revolução Industrial, saem os artesãos e entra a linha de produção. Hoje, os jogadores utilizam sua técnica em prol de um modelo pré-estabelecido pelo treinador. Isto já acontecia na defesa, mas geralmente os treinadores tinham que criar compensações para que o camisa 10 pudesse ter uma obrigação defensiva mais leve. Agora, todos atacam e marcam de acordo com a posição que ocupam no campo, sem privilégios.

Não venho aqui dizer que não existem mais jogadores capazes de exercer tal incumbência, mas que com a evolução do jogo, o sistema, estratégias e táticas ficaram mais importantes que os jogadores que cada time possuem, tendo essas equipes um nível parecido de investimento.

O que impressiona em Neymar ser o último 10, é que ele já nasceu na modernidade.  Surgiu como um segundo atacante atuando pela esquerda, extremamente fatal. Com 18 anos já era o craque da Seleção Brasileira, aos 19 campeão da Libertadores levando o Santos praticamente nas costas, aos 23 campeão da Champions League sendo artilheiro. Parece que os Deuses tinham programado que Messi fosse o último 10 e Neymar o primeiro craque da nova era.

Mas ao invés de satisfazer os desejos dos Deuses, Neymar os desafiou. Desde sua chegada no PSG, ele quer mostrar que um 10 ainda pode bater em qualquer sistema, que um artesão pode ganhar de uma máquina. Por isso a cobrança incessante por títulos ao craque brasileiro; pouco se aprecia do futebol dele, tanto seus seguidores quanto seus opositores estão sempre de olho no placar, se ele vai ou não sair vitorioso da guerra que decidiu travar contra a evolução do jogo.

Neymar hoje é o mais comentado dos jogadores, pelo tamanho da batalha que ele trava. Entre os espectadores existem aqueles que o amam ou o odeiam, os que o defendem e os que o atacam, como se fosse uma ideologia ou até uma religião.

E você? Ama ou odeia? Acha que ele vai conseguir cumprir sua missão?

 

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