Fim dos técnicos brasileiros!

 Fim dos técnicos brasileiros!

Aqui em casa, tínhamos uma máquina de lavar muito velha. Vira e mexe ela deixava a gente na mão. Quando isto acontecia minha avó já dizia: chama o técnico!

O que fazia o seu José, nosso técnico de confiança? Ele era um exímio conhecedor de eletrodomésticos, no quesito máquina de lavar era o melhor, rapidamente a abria e já descobria um fio solto ou uma borracha mal encaixada e resolvia o problema, colocava a bugiganga para funcionar. Outras vezes era mais complicado, tinha que comprar mais peças, dependendo da peça ficava uma nota para arrumar.  Até um dia que não teve jeito, seu José abriu a pobre coitada e disse: vai ter que comprar outra!

A introdução serve para exemplificar quem é o técnico: um sujeito que entende toda a lógica de funcionamento naquilo que é especializado e sabe como ir consertando até um momento que fica caro demais a manutenção ou impossível de fazê-la.

Quando eu proponho o fim dos técnicos brasileiros, não estou falando para só trazer profissionais de fora, mas para mudarmos esse conceito aqui no Brasil. Não precisamos mais de técnicos a frente dos nossos clubes! Na Inglaterra, por exemplo, o mesmo profissional é chamado de Manager, que na tradução para o português seria “Gerente”.

É um conceito bem mais adequado, pois o técnico por natureza é um sujeito reativo, só age depois que o problema aparece, correndo o risco da solução ser muito cara ou não existir. Já o bom gerente é um sujeito proativo, ele está sempre analisando o ambiente e dentro do orçamento que lhe é disponibilizado, vai tomando as decisões para evitar que problemas apareçam e sempre minimizando os riscos de surgir uma questão sem solução, tendo uma visão sempre de médio a longo prazo.

Dois bons exemplos de trabalhos de técnicos no Brasil, foram Renato Gaúcho que pegou um bom time, porém desajustado no Grêmio, rapidamente colocou as peças no lugar, fez o time atingir seu melhor desempenho, chegou no ápice a conquistar a Libertadores da América, mas depois disso o time só foi definhando, até ser eliminado pelo Del Valle na pré-Libertadores. Outro foi Felipão, esse atingiu o ápice mais rápido, em apenas alguns meses, com o Palmeiras em 2018, mas no ano seguinte a queda de desempenho foi proporcionalmente vertiginosa.

Flamengo e Palmeiras, os vencedores da última temporada, acabaram voltando às suas atividades depois do demais e já estão sofrendo com a fúria dos seus torcedores. Em comum, eles tratam Rogério e Abel como técnicos e não gerentes. Ambos profissionais, pensando como Managers, desejavam mudanças em seus elencos, já prevendo problemas. Porém os dirigentes, usando aquela máxima “se foi campeão assim, não precisamos mudar”, acabaram os tratando como técnicos e logo no início da temporada já observamos que não era absurdo nenhum Abel Ferreira querer mais um ou dois centroavantes e Rogério Ceni reservas para os meias e Rafinha para a lateral-direita.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

VAR consolida monopólio da arbitragem em relação ao resultado do jogo

Grêmio elimina São Paulo e chega na final da Copa do Brasil. E agora?

Flamengo com Ceni muda de estilo, porém não sai do lugar