Portuguesa Santista 2 x 2 Portuguesa
O Paulistão não precisa de times grandes, aproveitamos muito mal o futebol e o recurso do vídeo é fundamental para a arbitragem.
Segunda-feira, estava eu assistindo o programa de futebol da hora do almoço, já estava ali na hora de falar dos times nordestinos, o assunto final do programa, quando me é informado que a próxima atração do canal era um Portuguesa Santista, a Briosa, contra a Portuguesa de Desportos, a Lusa pela série A2 do Paulistão.
Na hora veio aquela nostalgia, mesmo não tendo presenciado os momentos áureos dessas duas instituições do futebol paulista e brasileiro, sei que não se trata de quaisquer clubes. Por a concorrência também não ser grande coisa, estava passando campeonato Português na principal concorrente, preferi então acompanhar o clássico entre as Portuguesas com o intuito de sair da minha zona de conforto futebolística para assim tirar novas lições sobre o esporte.
Para minha surpresa, o jogo acabou sendo muito agradável, um empate em 2x2 cheio de reviravoltas. Daí surge minha primeira lição: a facilidade de um jogo de futebol ser um bom entretenimento. A receita é simples - colocar em campo dois times com ambição de fazer gols os noventa minutos. O difícil hoje em dia é encontrar estes ingredientes. Vivemos um momento onde os clubes maiores estão mais dispostos a evitar derrotas do que ousar vencer. Na elite do nosso futebol, a vitória está muito mais ligada a detalhes relacionados à arbitragem ou alguma falha humana, do que um time se sobrepondo ao outro.
Outra conclusão que cheguei é que o estadual não atrapalha em nada os times grandes, na verdade eles que atrapalham o estadual. Por serem os mais relevantes, acabamos vendo o campeonato pela ótica deles, que veem como um peso no calendário e com pouco valor desportivo e só jogam ainda pelo alto valor que o campeonato paga. Acaba que os clubes menores acabam enxergando a competição da mesma forma, fazendo com que aqueles clubes que jogavam um futebol corajoso na A2 acabem adotando modelos ultraconservadores quando chegam a elite para abocanhar sempre quantias maiores. Sem os grandes, todo mundo ganharia menos dinheiro, porém o campeonato seria mais disputado e melhor como entretenimento.
Como diria Vanderlei Luxemburgo “No futebol, o medo de perder acaba tirando a vontade de ganhar”. Este medo é decorrente da incapacidade dos dirigentes, que não conhecem bulhufas do esporte e tem a caneta na mão para tomar as decisões importantes. Esse sentimento contamina os treinadores e jogadores, fazendo assim com que se perca o prazer de jogar futebol. Logo isto acaba sendo percebido pelos espectadores e deixamos de aproveitar o melhor que o futebol tem que é a Partida de Futebol, para ficarmos apenas de olho na tabela do campeonato e em quem vai levantar a taça.
Por último a questão sobre a arbitragem. Sou um crítico do VAR, em outro texto aqui no blog já citei os motivos e minha proposta de modelo, só que não dá para abrir mão do recurso de vídeo para solucionar erros crassos da arbitragem. A arbitragem no Brasil é ruim desde que eu me conheço por gente e não dá sinais que vai melhorar logo, mas a quantidade de erros graves cometidos pelos árbitros e assistentes impacta diretamente nos resultados das partidas e assim dos campeonatos, sendo um importante colaborador do medo que nossos dirigentes sentem tanto.
Cabe-se dizer que em um jogo de times corajosos, consegui me divertir e aprender mais do que em vários de times mais qualificados, porém tomados pelo terror. A atuação do árbitro ter sido tão ruim, cabe-se destacar que os bandeirinhas tiveram atuação magnífica, não tira em nada o brilho dos bravos jogadores que buscaram a todo momento saírem vencedores, que acabaram me dando uma aula magna numa tarde de segunda.
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