Gestão Daniel Alves
O anúncio feito pela assessoria de imprensa do Tricolor Paulista no primeiro dia de agosto do ano de 2019, hoje se mostra uma mentira. Lá dizia que Daniel Alves era do São Paulo, mas percebemos um ano depois, que o São Paulo Futebol Clube que é de Daniel Alves.
Na euforia do momento, não foi tão debatido sobre a estranheza da opção do mais consagrado lateral-direito em atividade no futebol. Daniel simplesmente poderia escolher qualquer time no mundo para jogar, por que o São Paulo?
A resposta oficial cita um vínculo afetivo do atleta com o Tricolor e que os dirigentes mostraram um planejamento que o empolgou. Fica difícil de acreditar pois já vimos outros jogadores com muito mais identificação optando por não voltar ao Morumbi e também pela incompetência dos dirigentes em fazer o São Paulo protagonista novamente no cenário nacional.
Em vista disso, ouso responder que o atleta buscava algo que não esteve ao seu alcance em nenhum dos clubes que defendeu: o poder de influenciar nas decisões do clube. Dani por muito tempo no Barça viu a influência que jogadores como Messi, Xavi e Puyol tinham nas decisões tomadas pelo clube catalão, viu isso também na Juve e deve ter ficado muito impressionado em Paris com a influência de Neymar e seu staff no PSG.
Decidiu então partir para um lugar em que não apenas seria jogador, mas teria um status tão elevado que todas as decisões do futebol passariam por ele. Raí não seria um problema, pois apesar da grandiosidade do eterno camisa 10 Tricolor, como dirigente seu tamanho era pequeno, acumulando diversos fracassos e escolhas quase sempre equivocadas.
Cuca seria um empecilho, pois se tratava de um técnico com vasto currículo e uma personalidade complicada e assim ficaria difícil Daniel ter a influência desejada no clube paulista. Numa entrevista dada na apresentação do técnico no Santos, Cuca diz que o motivo do insucesso no São Paulo (Cuca pediu demissão após uma derrota para o Goiás no Morumbi) foi devido às contratações que chegaram na metade do campeonato(Daniel Alves e Juanfran).
De acordo com o treinador, após as chegadas dos reforços o time perdeu o padrão adquirido após a vitória em casa por 3x2 contra o Santos e ele não se sentiu mais capaz de melhorar o time do São Paulo.
Pareceu um absurdo na época, como assim a chegada do melhor lateral direito do mundo seria um problema? Só se esse problema não estivesse dentro do campo.
Logo após Cuca se demitir, a obviedade era a efetivação de Vágner Mancini, que havia levado o clube à primeira final disputada após o título da Sulamericana em 2012. Entretanto após orientação do camisa 10, Raí optou por contratar Fernando Diniz. Neste momento ficou claro que o objetivo rapidamente havia sido alcançado.
A escolha por Diniz não foi apenas a escolha do treinador, mas também por um estilo de jogo, uma tentativa de reviver o Barcelona, mas dessa vez Daniel não seria um coadjuvante de luxo, mas sim capitão, camisa 10 e protagonista. Diniz seria perfeito para o cargo, pois sempre se mostrou ótimo treinando jogadores, entretanto era óbvia sua incapacidade em ser o comandante que tiraria o São Paulo da fila de títulos e em reagir a dificuldades impostas por adversários.
A influência de Dani Alves foi vista também no poder em manter o técnico do São Paulo após os diversos fracassos acumulados no ano. O próprio presidente Leco admitiu que manteve o treinador após o vexame contra o Mirassol após quinze minutos de conversa com o craque. Além do fato de jogar sempre que disponível e sempre na função que desejava.
Sejamos justos, a “Gestão Daniel Alves” está sendo o único momento pós Tricampeonato Brasileiro, onde o São Paulo novamente é um protagonista no Brasil, sendo o principal antagonista do Flamengo na temporada.
Só que o momento atual mostra um líder psicologicamente saturado pela pressão da torcida e o trato com os novos dirigentes e dentro do campo a conta vem chegando, com partidas mal jogadas e muitos erros cometidos.
Nesta passagem Dani vem correspondendo nos jogos contra times que estão brigando na ponta da tabela, mas será que conseguirá esse jogador-técnico-diretor a façanha de tirar um clube do tamanho do São Paulo de uma fila de títulos? Apesar de seu contrato ser até 2022, saberemos a resposta no fim do Brasileirão, pois com a nova gestão Daniel não terá a mesma influência, o ego dos que chegam consegue ser ainda maior que o do craque, fazendo assim com que sua saída seja iminente ao fim da temporada.
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