Comando Frouxo Leva São Paulo à Humilhação

A histórica derrota por 5x1 contra o Internacional, maior derrota da história do clube no Morumbi, não foi um acaso. Foi fruto de um processo iniciado logo após a eliminação para o Grêmio na Copa do Brasil e que foi se desenrolando sem nenhuma intervenção dos dirigentes e treinador do clube.

A reação desmedida do técnico Fernando Diniz, agindo de forma completamente agressiva e hostil contra o árbitro do jogo, além do fato de nenhum jogador ter ido aos microfones após a partida, sendo que o clube ostentava uma vantagem de sete pontos em relação ao vice-líder no Campeonato Nacional, dava conta que havia chegado uma pressão gigantesca proveniente do jejum de títulos que o clube enfrenta.


De lá para cá, o Tricolor não acumula apenas derrotas vergonhosas, mas também desempenhos horrorosos, causados pelo abalo psicológico que o time mostra jogo após jogo. Porém temos que destacar a completa inabilidade de todos os comandantes do São Paulo que em mais de 20 dias apenas assistiram o navio afundar.


Começando pelo comandante dentro do campo, o capitão do time Daniel Alves. O craque deixa nítida sua imaturidade como líder, já que não é capaz de influenciar seus companheiros afim de se posicionarem melhor, jogarem com mais intensidade ou até dar-lhes confiança para desempenhar o plano de jogo. Muito menos liderar pelo exemplo, pois sempre gosta de deixar claro sua indiferença com o sentimento do torcedor, sendo a melhor forma de demonstrar isto a virada de rosto que o camisa 10 deu após um passe no campo de defesa com o time perdendo por 4x1 ou a batucada pré eliminação da Libertadores.


Agora partimos para o treinador, Fernando Diniz. O bom treinador não é aquele indivíduo que conhece vários conceitos complexos sobre futebol, mas sim aquele que sabe a maneira e o momento certos de aplicar cada um. A insistência dogmática que Diniz tem por um modelo de jogo tão arriscado, acaba afundando o time que está abalado psicologicamente, seja pela falta de coragem em ousar ou a explosão dos erros individuais.


Uma vez Bielsa disse “Se jogadores não fossem humanos, eu não perderia nunca”. No sistema de Diniz, fica clara a desconsideração do fator humano. Primeiro por sua rigidez, pois apesar dos jogadores desempenharem várias funções afim de desorientar os adversários e se movimentarem muito dentro do campo, eles acabam na maioria das vezes sendo obrigados a participar do jogo em uma área do campo e uma situação de jogo onde ficam desconfortáveis, ficando assim mais propensos aos erros e sem conseguirem render seus máximos. Segundo por desconsiderar o momento anímico da equipe, onde mesmo com o time claramente sem confiança, ele continua estimulando seus jogadores a arriscarem mais e caso não o façam ou errem, acaba proferindo impropérios aos seus comandados.


Importante citar a inércia daqueles que chegaram na virada de ano, pois diferente de Diniz e Dani Alves que devem ir embora do Tricolor, esses vão permanecer para as próximas temporadas. Muricy adotou um estilo como coordenador muito diferente de quando era técnico. Suas conversas motivacionais se mostraram inócuas, pela causa da decadência do time não ser falta de motivação. Tendo como subordinado um treinador sem nenhuma experiência, era sua missão guiar Diniz para o caminho das vitórias, porém preferiu chegar de mansinho e assistir a derrocada tricolor de camarote.


Mas sem dúvida quem mais preocupa é Júlio Casares. Ele recebeu um time na primeira colocação do campeonato com larga vantagem e sabendo do impacto da eliminação na Copa. Porém, o futebol não era uma prioridade do novo presidente. Ele lançou um plano de cinquenta metas em cem dias, porém nenhuma delas era ganhar o Brasileirão. O mandatário máximo diariamente aparecia nas redes sociais apertando a mão de alguma autoridade e ao mesmo tempo acabou deixando ao léu o São Paulo Futebol Clube.


Apesar de haver chances matemáticas, avaliando o desempenho atual e a perspectiva do clube, só um milagre faria o São Paulo Campeão Brasileiro. Casares está perdendo essa chance única de ganhar uma taça tão importante com apenas onze jogos em disputa e com vantagem. Com a impossibilidade de ações imediatas que sejam eficazes, o que resta ao clube é planejar a próxima temporada e sem dúvidas o primeiro tópico abordado deve ser quem serão os novos líderes dentro e fora do campo.

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