Pontos Corridos x Emoção: como solucionar esse dilema?

O modelo de pontos corridos foi adotado em 2003 no Campeonato Brasileiro e desde lá vem sendo importante para o planejamento financeiro das equipes. Entretanto, no quesito emoção vem deixando a desejar. Como melhorar essa fórmula?

Há tempos, alguns dirigentes pedem a volta do sistema mata-mata, que foi utilizado entre 1971 e 2002. Nesse período a alternância de campeões foi muito maior e o engajamento do público nas fases finais era enorme. Porém, esse modelo significaria uma perda de renda significativa, já que o número de jogos oferecidos para a televisão, maior parceira dos clubes, poderia ser reduzido até pela metade; além de propiciar muitas partidas sem relevância na fase inicial.


Por ser fundamental que todos os clubes tenham calendário até o fim do ano, não seria inteligente diminuir a quantidade de rodadas do Brasileirão. Neste sentido, defendo que a melhor ideia para deixar os Pontos Corridos mais atrativo é diminuir a quantidade de pontos em disputa, deixando assim cada duelo crucial para os clubes. Atualmente temos 114 pontos em disputa e para ser campeão um clube precisa em torno de 75 pontos(65%). Seria como se no colégio ou universidade um aluno precisasse tirar 6,5 para ser o melhor.


Por isso sugiro uma mudança no sistema de pontuação: ao invés de cada partida valer 3 pontos, esses pontos só seriam ganhos após o final do confronto do segundo turno, levando em consideração o placar agregado. Isso faria com que houvesse apenas 57 pontos em disputa e para se conquistar o título o campeão terá que alcançar uma porcentagem de aproximadamente 90% dos pontos, por consequência cada ponto perdido, seja decorrente de um duelo empatado ou perdido, seria muito mais doloroso aos que desejam o troféu.


Vamos exemplificar o novo sistema de pontuação: no primeiro turno Palmeiras e Internacional empataram por 1x1, já no segundo o Inter venceu por 2x0. No sistema atual o Colorado somou 4 pontos e o Alviverde 1. Já no modelo aqui proposto o clube gaúcho conquistaria 3 pontos(por ter vencido no placar agregado: 3x1) e o Verdão nenhum. Já no caso de São Paulo e Atlético, com o 3x0 no jogo de ida favorável ao Galo e o 3x0 no jogo de volta favorável ao Tricolor, o agregado seria de 3x3, sendo assim cada um somaria um tento. O primeiro jogo entre Fortaleza e Red Bull Bragantino, disputado no Ceará, terminou 3x0 para o Tricolor do Pici, no estado de São Paulo o BragaBull venceu por 2x1, nesse caso com a soma dos placares sendo 4x2 a favor do time cearense, este somaria 3 pontos, já o clube de Bragança mesmo tendo vencido o jogo em seus domínios não somaria ponto algum.


Essa diminuição de 50% na pontuação a ser disputada eliminaria alguns males do campeonato: de acordo com meus estudos, em pouquíssimos casos o título seria decidido antes da última rodada; não existiria aquela zona intermediária de clubes que passam os seus jogos finais sem perspectiva; além de oferecer chance de dar a volta por cima àqueles que fizerem uma primeira metade de competição lamentável.


Outro ganho seria em relação aos confrontos diretos, os chamados "jogos de 6 pontos”se transformariam em “confrontos de 12 pontos”, sendo na parte de baixo ou de cima da tabela, se tornando de fato verdadeiras finais. Flamengo por exemplo pode ser campeão nessa temporada mesmo após ter sido goleado por seus dois principais rivais diretos - no novo modelo isso seria muitíssimo improvável.


O Sistema de Pontos Corridos é aquele mais apropriado para o mundo em que vivemos, onde as empresas (clubes) devem contar com uma previsibilidade orçamentária para desenvolver planos de crescimento sustentável, todavia, cabe aos organizadores implementar mudanças para devolver ao mais importante campeonato do nosso país, sua capacidade de emocionar. 

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